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UM POUCO DE HISTÓRIA

"A história é absolutamente fundamental para um povo. Quem não sabe de onde vem, não sabe para onde vai."

 

Dom Bertrand de Orleans e Bragança      

O cenário político que antecedeu 1964

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Com o fim da 2ª Guerra Mundial em 1945, duas grandes potências se destacaram no cenário político mundial em virtude da participação decisiva na vitória contra a Alemanha nazista: os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Duas potências que, embora tivessem lutado contra um inimigo em comum, eram inimigas entre si. De um lado, os EUA, uma democracia liberal, baseada na sociedade de mercado e em valores cristãos. Do outro lado do mundo a URSS – resultado do avanço da Rússia comunista, composta por 15 países – além de dominar outros países do centro europeu que, embora não fizessem parte oficialmente da União Soviética, respondiam ao governo comunista. EUA e URSS, ambos detentores de poderio bélico nuclear, passaram a se enfrentar militarmente, mas de forma indireta, apoiando lados opostos em conflitos armados como no Vietnã, Coréia e Afeganistão.

EUA e URSS antagonizavam desde conflitos armados aos esportes.

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Mas e o que isso tem a ver com o Brasil? Tudo. A URSS não tinha intenção de avançar somente sobre a Europa, mas sobre todo o mundo. Era estratégico estar próximo de seu grande e poderoso inimigo, os EUA. Por isso, dominar politicamente países da América Latina era objetivo fundamental em sua estratégia. O mundo passou a assistir guerras civis e revoluções comunistas sob influência da URSS. A primeira grande conquista foi Cuba, em que Fidel Castro, financiado e armado pelos comunistas, promoveu a Revolução Cubana. Outros conflitos se seguiram: Guatemala, Nicarágua, Argentina, Haiti, Paraguai e Chile. Contudo, o Brasil seria a mais importante conquista comunista. Um país de dimensões continentais, com recursos naturais em uma abundância ímpar. Era vital conquistar o nosso país.

Triunfo das forças revolucionárias comunistas em Cuba, em 1959.

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A revolução comunista no Ocidente contava com forças ocultas que operavam nas sombras, a era dos serviços secretos (KGB). Por meio de táticas de desinformação, eram capazes de influenciar o ambiente político do país que julgassem ser interessante para os seus objetivos. Em 1922 é fundado o primeiro partido comunista brasileiro, o PCB, com o compromisso de seguir fielmente as condições impostas pela Internacional Comunista. Não era um partido com vida própria, mas literalmente uma seção de Moscou no Brasil.

Fundadores do PCB, em 1922.

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Nesse cenário polarizado, havia no Brasil diversos atores políticos influentes claramente inclinados ao comunismo. O então presidente Jânio Quadros condecorou o ícone da Revolução Cubana, Che Guevara. Tensões políticas geradas pelas denúncias do deputado Carlos Lacerda levam à renúncia de Jânio Quadros em 1961 e assume seu vice, João Goulart, que se encontrava na ocasião da renúncia na China comunista e era ligado a ditaduras populistas. Já presidente, João Goulart reaproxima o Brasil à URSS e em meio a políticas populistas, leva a economia a uma situação insustentável – inflação, greves, tensão social. Nesse período, há registros de brasileiros sendo treinados em táticas de guerrilha em Cuba. Um grupo dissidente ao PCB funda o PCdoB. Francisco Julião transforma as Ligas Camponesas em guerrilhas armadas com treinamento cubano, um verdadeiro exército pronto para ser acionado quando fosse o momento.

O presidente Jânio Quadros condecora o guerrilheiro cubano Che Cuevara.

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Em 1963 já havia guerrilhas formadas no Brasil com o conhecimento do presidente João Goulart. Dentre as propostas reformistas de João

Goulart – conhecidas como as reformas de base – incluíam estatizações de refinarias, desapropriações de terras, congelamento de aluguéis e, por serem medidas inconstitucionais e ciente de que o Congresso não as aprovaria, tentou sem sucesso a aprovação de um Estado de Sítio, que permitiria que ele governasse por decretos. A tensão social e política era a essa altura enorme. Março de 1964 foi o ápice das tensões. A revolução comunista estava às portas.

Comícios reformistas do presidente João Goulart, o "Jango".

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Em resposta aos comícios reformistas de João Goulart e Brizola, o povo saiu às ruas no que ficou conhecido como a Primeira Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em 19 de março de 1964. Um movimento popular espontâneo, em que se reuniram 500 mil pessoas na cidade de São Paulo. As manifestações se espalharam por todo o Brasil, com a clara mensagem que o Brasil não aceitaria o comunismo. Os principais veículos de imprensa e a Igreja se uniram neste movimento anticomunista. Manchetes dos jornais advertiam para o risco de uma revolução comunista e uma guerra civil. De fato, o nosso país se encontrava a um passo de uma guerra civil, tendo de um lado brasileiros dispostos a tornar o Brasil a mais poderosa extensão sul-americana da URSS e de outro, uma grande maioria de brasileiros patriotas, cristãos, que repudiavam toda a nefasta ameaça que o comunismo representa.

Primeira Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em 19 de março de 1964.

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A contrarrevolução de 31 de março de 1964

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Neste momento o Exército Brasileiro estava dividido. Havia oficiais cientes de que uma firme decisão precisava ser tomada a fim de restabelecer a ordem no país, mas também havia oficiais cientes de sua responsabilidade para com o chefe supremo das Forças Armadas, o então presidente João Goulart. E havia ainda oficiais simpatizantes ao comunismo, verdadeiros infiltrados nos quartéis – felizmente eram uma

minoria.

Nem mesmo no EB houve unanimidade. Havia militares simpatizantes ao comunismo.

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No estado de Minas Gerais, o general Carlos Luiz Guedes, comandante da Infantaria Divisionária da 4ª Região Militar (ID/4ª RM), reúne seus oficiais na tarde de 30 de março de 1964 e informa que a partir daquele momento ele se rebelava contra o governo federal. O comandante da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel José Geraldo, colocou 18.000 homens a disposição do Exército. Minas Gerais acendia o pavio da contrarrevolução. A 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora, era comandada pelo general-de-divisão Olympio Mourão Filho. Na madrugada de 31 de março de 1964, o general Mourão informou o general Guedes que partiria com suas tropas para o Rio de Janeiro, onde se encontrava o então presidente. Estava formado o Destacamento Tiradentes, sob o comando do general Antonio Carlos da Silva Muricy. Em Belo Horizonte, foi formado o Destacamento Caicó. O Destacamento Caicó avançou até Brasília sem encontrar resistência, contudo o mesmo não ocorreu com o Destacamento Tiradentes.

General Olympio Mourão Filho.

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Do Estado da Guanabara – atual cidade do Rio de Janeiro – deslocaram-se tropas da Infantaria Divisionária da 1ª Região Militar (ID/1ª RM), sob o comando do general Luiz Tavares da Cunha Mello, com a missão de deter o avanço do Destacamento Tiradentes. Na vanguarda das tropas da ID/1ª RM ia o coronel Raimundo Ferreira de Sousa, comandando o 1º Regimento de Infantaria. As tropas do Destacamento Tiradentes se defrontaram com as tropas do coronel Raimundo, nas proximidades de Três Rios – a meio caminho entre Juiz de Fora e o Estado da Guanabara, atual cidade do Rio de Janeiro – e ambas as tropas se posicionaram, preparando-se para o iminente confronto.

Jornal da época noticiando a saída das tropas da 1ª RM, do Rio de Janeiro.

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Graças ao bom relacionamento que o general Muricy tinha com o coronel Raimundo e por intercessão de oficiais de ambos os lados, foi possível explicar as razões da reação contra o governo João Goulart. Como resultado, o 1º Regimento de Infantaria aderiu à contrarrevolução e, alinhados ao Destacamento Tiradentes, avançaram em direção ao Rio de Janeiro, até se defrontarem com o restante das tropas do general Cunha Mello. Novo confronto iminente, mas as trocas de informações entre os Estados-Maiores de ambos os lados e a renúncia do general comandante do Primeiro Exército foram decisivas para evitar o confronto. O general Cunha Mello retornou ao Estado da Guanabara, contudo sem aderir ao movimento. O Destacamento Tiradentes avançou sem obstáculos até o Rio de Janeiro, chegando em 2 de abril de 1964, instalando-se no Estádio do Maracanã.

Militares do Destacamento Tiradentes em frente ao Maracanã.

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Neste mesmo momento o presidente João Goulart foge para o Rio Grande do Sul e, junto com o então deputado federal Leonel Brizola, cogitam um enfrentamento militar com o apoio das tropas da 3ª Região Militar, leais ao governo. Cientes da minoria e da certeza de que seriam derrotados, decidem fugir para o Uruguai. Outros movimentos contrarrevolucionários semelhantes e simultâneos se seguiram por diversos quarteis no país. De todos os comandos militares chegavam adesões ao movimento. A contrarrevolução era vitoriosa!

João Goulart, antes de embarcar para o Rio Grande do Sul e, após, Uruguai.

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Em 2 de abril de 1964 o Congresso Nacional declara a vacância do cargo de Presidente da República e assume interinamente como Presidente da República o Presidente da Câmara, deputado Ranieri Mazzilli, até que em 11 de abril de 1964, é eleito democraticamente, por deputados eleitos pelo povo, inclusive com votos de Ulysses Guimarães e Juscelino Kubitschek, o primeiro presidente da República do Regime Militar, o general Humberto de Alencar Castelo Branco.

Jornal O Globo: fuga de João Goulart e o restabelecimento da democracia.

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A história mostraria mais tarde que dias difíceis estavam reservados para o nosso país, com uma sucessão de bárbaros crimes em nome de uma falsa busca por liberdade e democracia, protagonizados por guerrilheiros comunistas. Na verdade o que os moviam era o firme propósito de desestabilizar o Regime Militar a fim de implantar uma ditadura do proletariado. Contudo, ao menos naquele momento, estava detido o avanço do comunismo sobre o nosso Brasil, em um movimento que começou pelo clamor da sociedade civil, clamor este respondido tempestiva e corajosamente pelo Exército Brasileiro,

no dia 31 de março de 1964. Brasil!

Mário Kozel Filho, soldado que aos 18 anos teve seu corpo destroçado por um carro bomba preparado pela VPR, grupo terrorista integrado pela ex-presidente Dilma Vana Rousseff. Na madrugada de 26 de junho de 1968.

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Fontes de pesquisa:

1964 - O Brasil entre armas e livros - Brasil Paralelo - https://youtu.be/yTenWQHRPIg

Ustra, Carlos Alberto Brilhante. A Verdade Sufocada. 16ª edição. Brasília - Editora Ser, 2018.

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